"Quando a última árvore tiver caído, quando o último rio tiver secado, quando o último peixe for pescado, vocês vão entender que dinheiro não se come"
Eu não sou lá de dar muito valor a datas especiais, mas vou aproveitar o momento de solidariedade do natal e de reflexão e planos do ano novo para fazer um apelo. Não sei bem por onde começar, mas gostaria que todo tipo de pessoa lesse.
O cérebro humano foi moldado em épocas que obviamente a situação era muito diferente de hoje, e talvez na lei da selva a quase única forma de causar algum dano a outra pessoa era atacando-a diretamente. Assim, nosso cérebro só aprendeu a se chocar com o que se pode ver. Isso aliás, é uma situação comprovada cientificamente¹. Assim, a maioria de nós não sai por aí socando os outros quando for de benefício próprio, mas infelizmente a maioria não dá importância para os danos muito maiores que estão causando nas tarefas simples do dia-a-dia. Isso explica porque ninguém lembra antes de comprar seu tênis nike do trabalho infantil que foi explorado para confecioná-lo. Talvez isso explique até que os voluntários que estavam roubando doações para as vítimas das enchentes de SC não saiam por aí assaltando pessoas. Mas não vou falar aqui de coisas que quase todos condenam, quero convidá-lo a refletir sobre coisas comuns, hábitos que a grande maioria da população tem, e quando são convidados a refletir, dão as desculpas mais esdrúxulas para continuar com seu conforto egoista.
Espero que a partir desse parágrafo o leitor não pare de ler ao identificar um tema que tenha aversão. "ahh, isso é coisa de ecochato", ou mais pra frente "ahh, é mais um texto comunista". Acontece, que o conforto e a futilidade do nosso dia-a-dia, o que você come, seu meio de transporte, etc já está tendo consequências gravíssimas. A pequena nação de Tuvalu já está sendo evacuada. Um arquipélago paradisíaco localizado no Oceano pacífico, que está sendo o primeiro a sofrer com o aumento do nível do mar provocado pelo aquecimento global. Estamos falando de uma nação, pequena, cerca de 10 mil pessoas, porém que desenvolveu toda sua cultura naquele solo e agora será obrigada a migrar para outras terras com culturas diferentes. Tuvalu, que já sofre de inundações e deve submergir totalmente em até 50 anos, é só onde o problema apareceu primeiro. A ONU estima que até 2050, as mudanças climáticas poderão tirar 200 milhões de pessoas de suas cidades. Além disso, os países mais vulneráveis geralmente são os mais pobres, que já sofrem de graves problemas sociais, incluindo quase toda a áfrica e ásia. E no entando, os países responsáveis por isso são os que menos vão sofrer com as consequências.
Tudo isso acontece caro leitor, porque ninguém quer abrir mão dos confortos da sociedade de consumo.Você, caro leitor, também é responsável por isso, porque não quer abrir mão de ganhar alguns minutos a mais no seu dia indo pro trabalho de carro ou do seu bifinho suculento de defunto no almoço. Todos gostamos de falar mal das indústrias que poluem ou causam danos sociais, mas não tomamos nenhuma atitude na nossa vida pessoal. Assim, estamos agindo igual ao empresário que polui, pensando só no benefício próprio e ignorando os danos que essa ação em benefício próprio causa a outros. A questão ambiental foi só meu primeiro exemplo, mas o foco desse texto é revolucionar consciências e fazer as pessoas refletirem e tomarem (ou mudarem) atitudes. A grande verdade é que o todos nós, seres humanos, somos reacionários natos. Nâo queremos perder o minimo do que temos, e quando reconhecemos que algum de nossos hábitos está errado, costumamos usar qualquer desculpa para continuar fazendo. Claro que muitos de nós temos nossos ideais, mas a maioria das pessoas sequer é capaz de economizar uma sacola ou copo plástico, quanto mais fazer algo de verdade. A pecuária é um dos maiores responsáveis pelo aquecimento global. Do ponto de vista ambiental, mais vale um vegetariano de carro que um onívoro comum a pé. Mas vá falar isso pra alguém que até tenha alguma consciência ambiental mas seja onívoro. "Ahhh, mas eu não conseguiria parar de comer carne". De uma hora para outra, carne ganhou o status de droga que vicia.
Embora este texto não seja sobre a questão animal, preciso apontar que nesse ponto, por si só o hábito de comer carne é o maior exemplo do que eu falei, que não medimos o dano que não vemos. O ato é danoso por si só. Algumas pessoas que comem se dizem defensoras dos animais mas se tivessem que matar o próprio animal que fossem comer talvez não tivessem coragem. No entanto, como não vemos isso ao comprar carne no supermercado como um produto qualquer, continuam financiando uma indústria que é responsável pelas maiores torturas que existem, além de ser um desastre do ponto de vista ambiental e social (visto que a criação de animais gera bem menos alimento do que consome).
Claro que o problema ambiental é mais profundo que isso. O capitalismo tem se sustentado a base de crescimento, e para sustentar esse crescimento contínuo precisamos comprar cada vez mais coisas, e inclusive cada vez mais coisas que não precisamos. Dessa forma, a manutenção do capitalismo, do ponto de vista ambiental, não é sustentável, de forma alguma está sendo sustentável, nem será, assim como sabemos que também não é do ponto de vista social. No entanto todos nós somos responsáveis por certos danos que estamos causando a outros, talvez esse nosso egoísmo vigente seja fruto da cultura capitalista, mas não pode haver nada mais justo que esse sistema atual sem que tenhamos revolucionado antes de tudo nossas mentes.
Como é de praxe traçar planos e desejos pro ano seguinte, e esse texto também é um apelo a quem adquiriu consciência em um ponto e passa a olhar só pra ele, em 2009 eu gostaria de ver os comunistas mais verdes e os ecologistas mais vermelhos, porque o capitalismo liberal tem sido o último responsável pelo desastre ambiental que vivemos, e porque esse desastre terá consequências sociais para nós humanos. E gostaria de ver todos comendo menos carne, principalmente aos verdes e aos vermelhos, porque esse hábito é fruto do egoísmo humano, de graves consequências sociais e ambientais.



